Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo, à sombra do Onipotente, descansará. Sl. 91,1

domingo, 14 de março de 2010

INTERPRETAÇÕES DE TEXTOS - 1


O leãozinho

                                      Gosto muito de te ver, leãozinho
                                      Caminhando sob o sol
                                      Gosto muito de você, leãozinho

                                      Para desentristecer, leãozinho
                                      O meu coração tão só
                                      Basta eu encontrar você
                                      No caminho

                                      Um filhote de leão, raio da manhã
                                      Arrastando o meu olhar como um ímã
                                      O meu coração é o sol, pai de toda cor
                                      Quando ele lhe doura a pele ao léu
                                                                                           Caetano Veloso

1-   O texto está escrito em primeira ou em terceira pessoa? Transcreva duas passagens do texto que comprovem sua resposta.
2-   E o leãozinho, qual das três pessoas do discurso é? Transcreva uma passagem do texto que comprove sua resposta.
3-   “Caminhando sob o sol.” Quem está caminhando sob o sol?
4-   O que é preciso para desentristecer o coração de quem nos fala?
5-   Desentristecer é o mesmo que alegrar? Por quê?
6-   Na terceira estrofe, a que o filhote de leão é comparado?
7-   Você sabe por que o sol é chamado, no texto, de “pai de toda cor”? (Se não sabe procure pesquisar. Consulte o professor de Ciências)
8-   Qual o significado da expressão “ao léu”?
9-   De quem é a pele que está sendo dourada pelo sol?

Livre associação de ideias

              Podemos relacionar um ser ou um objeto a muitas coisas: outros seres ou objetos, sensações, emoções, qualidades etc.
              Deixando a imaginação correr solta, vamos perceber que palavra puxa palavra. Por exemplo, quando fecho os olhos e penso num leão, imediatamente me vêm as seguintes palavras:
              Leão: animal, rei, circo, horóscopo, beleza, medo, dourado, selva, juba, força, jaula etc.
              Faça o mesmo com as seguintes palavras:
Circo:
Urso:
Cidade:
Televisão:
Sítio:
Escola:
Aluno:
Professor:
Política:
  





O leão e o domador

Ao estalar do chicote,
o leão dá um pinote,
se encolhe no picadeiro
Mas não é medo o que sente,
nem é susto:
é saudade, é tristeza...
Seu coração ficou perdido
para sempre na floresta.
O domador se orgulha,
estala a língua, o chicote,
se sente assim como se fosse
um rei todo poderoso.
Mas o que o leão não adivinha
é que o leão de verdade
está longe, adormecido:
no palco, quem caminha
é a sombra do leão.
Roseana Murray

Responda
1-   O que pensa a plateia que assiste ao espetáculo circense quando vê o leão se encolher no picadeiro?
2-   Qual o verdadeiro motivo pelo qual o leão se encolhe no picadeiro?
3-   O domador tem razão para se sentir orgulhoso?
4-   O domador
                  “se sente assim como se fosse
                   Um rei todo-poderoso.”
Em que lugar o domador se sente um rei todo-poderoso?
5-   Se o domador é um rei todo-poderoso, quem é seu súdito, isto é, quem se submete à autoridade do rei?
6-   “é que o leão de verdade
      Está longe, adormecido”.
Em que lugar está o leão de verdade? Justifique sua resposta com versos da poesia.
7-   Como o leão de verdade, em seu habitat natural, costuma ser chamado? Como a poesia explora essa denominação do leão?
8-   Você acredita que alguém possa viver sem liberdade e ser feliz? Explique.

Enriquecendo o vocabulário
1-   A palavra pinote é formada por pino (o ponto mais alto) + o sufixo diminutivo ote. Dê outra palavra formada pelo sufixo ote e escreva uma frase com ela.
2-   O que você entende por “dar um pinote”?
3-   O espaço onde atuam o domador e o leão é denominado na poesia de duas maneiras diferentes. Quais são essas duas denominações?
4-   Domador é uma palavra formada a partir do verbo domar. Dê dois sinônimos para a palavra domar.
5-   O verbo estalar tem uma sonoridade interessante: imita o barulho do estalo. Além do chicote e da língua, o que mais pode estalar?
6-   Escreva duas palavras que também apresentem sonoridade interessante.
7-   Um rei que tem poder  é um rei poderoso.
      Um leão que provoca espanto é um leão espantoso.
      O sufixo oso pode significar ‘provido’ ou ‘cheio de’ (1ª frase) ou ‘aquilo que                                                     
      provoca’ (2ª frase).
Complete as frases seguintes:
Uma comida que provoca apetite é uma comida--------------------------------------------
Uma pessoa que demonstra coragem é uma pessoa ---------------------------------------
Uma paisagem que apresenta montanhas é uma paisagem-------------------------------

Exercitando a concordância verbal e nominal
1-   Reescreva o texto abaixo substituindo a palavra leão por leões.

         “Ao estalar do chicote,                                                                                   
          o leão dá um pinote,                     
          se encolhe no picadeiro                 
          Mas não é medo o que sente,         
          nem é susto:                                
          é saudade, é tristeza...                  
          Seu coração ficou perdido              
          para sempre na floresta.”               

2-   Reescreva os versos abaixo substituindo as palavras coração por almas.
            “Seu coração ficou perdido           
              para sempre na floresta.”          

3-   Reescreva os versos seguintes substituindo a palavra domador por domadores e a palavra leão por leoa.

      “O domador se orgulha,                   
        estala a língua, o chicote,                
        se sente assim como se fosse           
        um rei todo poderoso.                    
        Mas o que o leão não adivinha          
        é que o leão de verdade                   
       está longe, adormecido:                   
       no palco, quem caminha                   
  é a sombra do leão.”                        

INTERPRETAÇÕES DE TEXTOS - 2


O menino que chupou a bala errada

         Diz que era um menininho que adorava bala e isto não lhe dava qualquer condição de originalidade, é ou não é? Tudo que é menininho gosta de bala. Mas o garoto desta história era tarado por bala. Ele tinha assim uma espécie de ideia fixa, uma coisa assim... assim, como direi? Ah... creio que arranjei um bom exemplo comparativo: o garoto tinha por bala a mesma loucura que o Sr. Lacerda tem pelo poder.
         Vai daí um dia o pai do menininho estava limpando o revólver e, para que a arma não lhe fizesse uma falseta, descarregou-a colocando as balas em cima da mesa. O menininho veio lá do quintal, viu aquilo e perguntou para o pai o que era:
         - É bala – respondeu o pai distraído.
         Imediatamente o menininho pegou diversas, botou na boca e engoliu, para desespero do pai que não medira as consequências de uma informação que seria razoável a um filho comum, mas não a um filho que não podia ouvir falar em bala que ficava tarado para chupá-las.
         Chamou a mãe (do menino), explicou mo que ocorrera e a pobre senhora saiu desvairada para o telefone, para comunicar a desgraça ao médico. Esse tranquilizou a senhora e disse que iria até lá, em seguida.
         Era um velho clínico, desses gordos e bonachões, acostumados aos pequenos dramas domésticos. Deu um laxante para o menininho e esclareceu que nada mais iria ocorrer. Mas a mãe estava ainda aflita e insistiu:
         - Mas não há perigo de vida, doutor?
         - Não – garantiu o médico: - Para o menino não há o menor perigo de via. Para os outros talvez.
         - Para os outros? – estranhou a senhora.
         - Bem ... – ponderou o doutor: - O que eu quero dizer é que, pelo menos durante o período de recuperação, talvez fosse prudente não apontar o menino para ninguém.
Stanislaw Ponte Preta.

Responda:
1-   “O menino que chupou a bala errada” é um texto em prosa, estruturado em parágrafos. Quantos parágrafos têm o texto?
2-   “... o garoto tinha por bala a mesma loucura que o Sr. Lacerda tem pelo poder.” Pelo comentário do narrador, você consegue imaginar que tipo de pessoa era o Sr. Lacerda?
3-   O texto apresenta um narrador, isto é, aquele que nos conta o acontecimento. O narrador deste texto participa do acontecimento ou é apenas um observador?
4-   Transcreva uma passagem do texto em que o narrador conversa diretamente com o leitor.
5-   Quantos personagens participam ativamente do acontecimento. Quais são?
6-   “Chamou a mãe (do menino).” Por que o narrador explica, entre parênteses, que era a mãe do menino?
7-   Por que o menino poderia representar um perigo de vida para os outros?

Enriquecendo o vocabulário
1-   “ ... a pobre senhora saiu desvairada para o telefone ...” Dê um sinônimo para desvairada.
2-   Podemos encontrar, no texto, duas palavras que podem ser usadas no lugar da palavra médico. Quais são?
3-   “Deu um laxante para o menininho.”
Você diria que laxante é:
a)    remédio para o sistema nervoso; o mesmo que calmante;
b)   remédio para os intestinos; o mesmo que purgante;
c)    remédio para a garganta; o mesmo que xarope.

4-   “ ... para que a arma não lhe fizesse uma falseta...” O que você entende por “fazer uma falseta”?
5-   Dramas domésticos são todos esses pequenos acontecimentos que marcam a vida cotidiana das famílias. Narre resumidamente um pequeno drama doméstico vivido por você ou por alguém de sua casa.
6-   Retire o acento agudo da palavra revólver. Você terá, assim, uma outra palavra. Escreva uma frase empregando essa nova palavra obtida.
7-   Coloque, agora, acento nas palavras medira e ocorrera. Você terá, assim, outras palavras. Que sentido elas têm? Escreva frases empregando essas novas palavras obtidas.
8-   Retire do texto uma palavra que é acentuada pelo mesmo motivo que a palavra história e escreva uma frase com ela.
9-   Retire do texto duas  palavras que são acentuadas pelo mesmo motivo que a palavra médico e escreva uma frase com cada uma delas.

Trabalhando com as palavras

Vimos no texto a confusão resultante da dupla interpretação de uma mesma palavra (bala), que tem vários significados. Além desse caso, existem também palavras diferentes, mas que tem a mesma grafia: por exemplo, canto (verbo cantar) e canto (esquina). De qualquer forma, uma interpretação equivocada pode resultar em confusão
1-   Dê três significados diferentes para a palavra português.
2-   “O homem carregou o revólver.” Dê duas interpretações diferentes para o verbo carregar, na frase.
3-   Escreva duas frases utilizando a palavra mangueira. Em cada uma delas, dê um significado diferente para mangueira.

Treinando a redação

     Você vai contar um acontecimento que foi provocado por alguma confusão na interpretação de uma frase ou palavra.
     Como narrador, você pode escolher entre se colocar como observador ou participar ativamente do ocorrido. . procure criar diálogos e pontuá-los corretamente.





O MORCEGO

Era uma vez uma guerra entre pássaros e feras. O morcego estava do lado dos pássaros. Mas na primeira batalha os pássaros foram severamente espancados. Ao constatar que as coisas estavam indo contra ele, o morcego saiu de fininho e se escondeu debaixo de uma tora, e lá ficou até terminar a briga.
Quando as vitoriosas bestas estavam indo para casa, ele se meteu no meio delas. Após terem caminhado por um tempo, as feras notaram sua presença e disseram:
- Espere um minuto. Você não é um dos que lutou contra nós?
O morcego respondeu:
- Oh, não! Eu sou um de vocês. Não pertenço ao grupo dos pássaros. Vocês não estão vendo minhas orelhas e garras? E olhem os meus dentes. Vocês já viram algum pássaro com caninos como os meus? Claro que não. Não, eu faço parte do grupo das bestas.
Elas nada disseram e deixaram o morcego ficar.
Logo depois houve uma nova batalha, e desta vez os pássaros venceram. Assim que percebeu a derrota do seu lado, o morcego saiu de fininho e se escondeu debaixo de uma tora. Quando a batalha terminou e os pássaros foram para casa, o morcego foi com eles.
Ao notarem sua presença, os pássaros disseram:
- Você é nosso inimigo. Nós o vimos lutando contra nós.
E o morcego respondeu:
- Oh, não. Eu pertenço ao seu grupo e não ao outro. Você já viu alguma besta com asas?
Eles nada disseram e o deixaram ficar.
Então o morcego ficou indo de um lado para o outro enquanto durou a guerra.
Mas, finalmente, cansados de lutar, os pássaros e feras decidiram fazer as pazes. Organizaram um conselho para decidir o que fazer com o morcego.
- Você lutou com os pássaros, então vá viver entre eles – exclamaram as bestas.
- Nós não o queremos! – gritaram os pássaros. – Você lutou com as bestas. Vá viver entre elas.
Ficou decidido que eles o excluiriam, e disseram-lhe:
- De agora em diante, você voará sozinho à noite e não terá amigos dentre os que voam ou os que andam.
Por isso agora o morcego se esconde no escuro e vive nas cavernas sem luz. Ele voa como os pássaros, mas nunca pousa no topo das árvores. Ninguém procura saber que tipo de criatura ele é.

(BENNETT, Willian J. O livro das virtudes II – O compasso moral. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1995. p. 559-60.)

Estudo do texto

1-      O texto lido é uma fábula. Que características apresenta esse tipo de narrativa?
2-      “... o morcego saiu de fininho e se escondeu debaixo de uma tora.” Essa atitude revela covardia. Por quê?
3-      Essa fábula trata principalmente de uma atitude humana. Qual?
4-      A frase final do texto – “Ninguém procura sabe que tipo de criatura ele é.” – é verdadeira? Justifique sua resposta.
5-      Indivíduo responsável é aquele que responde pelos seus atos. O morcego da história foi responsável? Explique.
6-      Na sua opinião, a lealdade deve existir apenas entre companheiros ou vai além disso? Justifique sua resposta.
7-      Que animal é considerado como símbolo da lealdade?
“Quando as vitoriosas bestas estavam indo para casa, ele se meteu no meio delas.” Qual é, nesse texto, o significado do termo destacado?

INTERPRETAÇÕES DE TEXTOS - 3


As cocadas

         Eu devia ter nesse tempo dez anos. Era menina prestimosa e trabalhadeira à moda do tempo.
         Tinha ajudado a fazer aquela cocada. Tinha areado o tacho de cobre e ralado o coco. Acompanhei rente à fornalha todo o serviço, desde a escumação da calda até a apuração do ponto. Vi quando foi batida e estendida na tábua, vi quando cortada em losangos. Saiu uma cocada morena, de ponto brando, atravessada de pa8s de canela cheirosa. O coco era gordo, carnudo e leitoso, o doce ficou excelente. Minha prima me deu duas cocadas e guardou tudo mais numa terrina grande, funda e de tampa pesada. Botou no alto da prateleira.
         Duas cocadas só... Eu esperava quatro e comeria de uma assentada oito, dez, mesmo. Dias seguidos namorei aquela terrina, inacessível de noite, sonhava com as cocadas. De dia as cocadas dançavam pequenas piruetas na minha frente. Sempre eu estava por ali perto, ajudando nas quitandas, esperando, aguando e de olho na terrina.
         Batia os ovos, segurava a gamela, untava as formas, arrumava nas assadeiras, entregava na boca do forno e socava cascas no pesado almofariz de bronze.
         Estávamos nessa lida e minha prima precisou de uma vasilha para bater um pão-de-ló. Tudo ocupado. Entrou na copa e desceu a terrina, botou em cima da mesa, deslembrada do seu conteúdo. Levantou a tampa e só fez: Hiiiii... Apanhou um papel pardo sujo, estendeu no chão, no canto da varanda e despejou de uma vez a terrina.
         As cocadas moreninhas, de ponto brando, atravessadas aqui e ali de paus de canela e feitas de coco leitoso e carnudo guardadas ainda mornas e esquecidas, tinham se recoberto de uma penugem cinzenta, macia e aveludada de bolor.
         Aí minha prima chamou o cachorro: Trovador... Trovador... e veio o Trovador, um perdigueiro de meu tio, lerdo, preguiçoso, nutrido e abanando a cauda. Farejou s doces sem interesse e passou a lamber, assim de lado, com o maior pouco caso.
         Eu olhando com uma vontade louca de avançar nas cocadas.
         Até hoje, quando Mem lembro disso, sinto dentro de mim uma revolta – má e dolorida – de não ter enfrentado decidida, resoluta, malcriada e cínica, aqueles adultos negligentes e partilhado das cocadas bolorentas com o cachorro.
(CORALINA, Cora. O tesouro da casa velha. 3. Ed. São Paulo:Global, 2000. p. 85-6)

Responda:
1-   No segundo parágrafo, o personagem narra todo o trabalho de fazer o doce e seu aspecto depois de pronto e diz onde a prima guardou as cocadas. Explique com que intenção fala-se de todas as etapas do trabalho
2-   Escreva por que, na sua opinião, a frase “Botou no alto da prateleira.” Foi colocada no final do parágrafo.
3-   Como é o comportamento da prima e o da menina em relação às cocadas estragadas?
4-   Entre as características do ser humano mencionadas a seguir, qual você diria que é mais forte nesse conto: a avareza, a gula, a inveja, a ira, a luxúria, o orgulho ou a preguiça? Justifique sua resposta.
5-   “Batia os ovos, segurava a gamela, untava as formas, arrumava nas assadeiras, entregava na boca do forno e socava no pesado almofariz de bronze.”
a-    Esse parágrafo é constituído de um único período composto. Sublinhe os verbos e separe as orações. Quantas orações você encontrou?
b-   Todos esses verbos têm um único sujeito. Qual?
c-    Apesar de não se dizer o que o sujeito “arrumava nas assadeiras” ou “entregava na boca do forno”, é possível descobrir pelo contexto. O sujeito arrumava o quê? Entregava o quê?

d-   Explique a diferença existente nas frases abaixo:
“Duas cocadas só...” 
“Duas cocadas só.” 
“Duas cocadas só!” 
6-   Classifique os sujeitos nas frases abaixo:
a-    O coco era gordo, carnudo e leitoso... 
b-   Apanhou um papel pardo sujo...
c-    Minha prima e eu fizemos as cocadas.
d-   Pegaram todas as cocadas e comeram.
e-    Houve brigas por causa dos doces.

7-   Justifique os acentos das palavras retiradas do texto:
a-    Só- 
b-   Inacessível- 
c-    Conteúdo- 
d-   Estávamos- 
e- Até



CRÔNICA PARA FAZER HORA

            Bom mesmo é viver salteando, dia sim, dia não. A gente viveria menos, mas viveria melhor. Pelo menos, um pouco mais descansado. Não acrescentar nada do ontem para o hoje nem esperar nada do hoje para amanhã: a verdadeira pausa. Seria como se se deixasse o relógio sem corda, durante vinte e quatro horas; os números estariam ali, nos mesmos lugares, e voltariam a funcionar normalmente no dia seguinte. Pouparia um pouco o desgaste da maquina, daria folga aos ponteiros, nessa rotina irremediável que marca as horas, os minutos e até os segundos – dividindo a liberdade do homem que se diz livre. O homem é um prisioneiro do tempo, vive algemado num relógio de pulso. No dia em que decidi me libertar do tempo, joguei fora o meu relógio. Mas ninguém imitou o meu gesto e minha situação piorou: agora estou preso ao relógio dos outros. O homem traz no pulso um relógio como um detento traz no peito um número: nenhum dos dois pode ir tão longe quanto pensa. Quem tem relógio tem a vantagem de atrasar ou adiantar o tempo, conforme as suas conveniências. O relógio é uma convenção social como outra qualquer, porque o que é tarde para um é cedo para outro e o que é cedo para outro é tarde para um. As horas oscilam de acordo com o temperamento de cada pessoa e não de cada relógio. Só a “meia-noite” é pontual, pode conferir: meia-noite nunca é antes nem depois de meia-noite. O relojoeiro é o único sujeito que consegue desenguiçar o tempo. Com apenas doze números o homem vive uma eternidade. O pêndulo nos dá a sensação de que o tempo passa e volta atrás pra passar de novo. O relojoeiro que conserta despertadores dorme à prestação. Os ponteiros do relógio são a bússola do homem civilizado: o pequeno lhe indica para onde deve ir, o grande lhe diz se deve ir devagar ou depressa.

( ELIACHAR, Leon. O homem ao cubo. 6. ed. Rio de Janeiro, Francisco Alves, 1979. p. 55-6)

Estudo do texto

1-      O que significa matar o tempo no título do texto?
2-      A crônica , em geral, é um texto breve, de assunto extraído do cotidiano. Qual é o assunto dessa crônica?
3-      Para o narrador, qual é o ideal de vida?
4-      “... homem que se diz livre.” O que o narrador quer dizer com a oração em destaque?
5-      A que o autor compara o relógio de pulso? Você concorda com essa comparação?
6-      Nos dois únicos períodos em que emprega primeira pessoa do singular, o que nos relata o narrador?
7-      As expressões destacadas abaixo foram empregadas em sentido próprio ou figurado?
a-      “... se se deixasse o relógio sem corda [...] os números estaria ali...
b-      “... joguei fora o meu relógio.”
c-      “O relojoeiro é o único sujeito que consegue desenguiçar o tempo.”
d-     “Os ponteiros do relógio são a bússola do homem cilvilizado...”

INTERPRETAÇÕES DE TEXTOS - 4


O MITO DA CAVERNA

Imagine um grupo de pessoas que habitam o interior de uma caverna subterrânea. Elas estão de costas para a entrada da caverna e acorrentadas no pescoço e nos pés, de sorte que tudo o que vêem é a parede da caverna. Atrás delas ergue-se um muro alto e por trás desse muro passam figuras de formas humanas sustentando outras figuras que se elevam para além da borda do muro. Como há uma fogueira queimando atrás dessas figuras, elas projetam sombras bruxuleantes na parede da caverna. Assim, a única coisa que as pessoas da caverna podem ver é este “teatro de sombras”. E, como essas pessoas estão ali desde que nasceram, elas acham que as sombras que vêem são a única coisa que existe.
Imagine agora que um desses habitantes da caverna consiga se libertar daquela prisão. Primeiramente ele se pergunta de onde vêm aquelas sombras projetadas na parede da caverna. Depois, consegue se libertar dos grilhões que o prendem. O que você acha que acontece quando ele se vira para as figuras que se elevam para além da borda do muro? Primeiro, a luz é tão intensa que ele não consegue enxergar nada. Depois, a precisão dos contornos das figuras, de que ele até então só vira as sombras, ofusca a visão. Se ele conseguir escalar o muro e passar pelo fogo para poder sair da caverna, terá mais dificuldade ainda para enxergar devido à abundância de luz. Mas, depois de esfregar os olhos, ele verá como tudo é bonito. Pela primeira vez verá cores e contornos precisos; verá animais e flores de verdade, de que as figuras na parede da caverna não passavam de imitações baratas. Suponhamos, então, que ele comece a se perguntar de onde vêm os animais e as flores. Ele vê o Sol brilhando no céu e entende que o Sol dá vida à flores e aos animais da natureza, assim como também era graças ao fogo da caverna que ele podia ver as sombras refletidas na parede.
Agora, o feliz habitante das cavernas pode andar livremente pela natureza, desfrutando da liberdade que acaba de conquistar. Mas s outras pessoas que ainda continuam lá dentro da caverna não lhe saem da cabeça. E por isso ele decide voltar. Assim que chega lá, ele tenta explicar aos outros que as sombras na parede não passam de trêmulas imitações da realidade. Ms ninguém acredita nele. As pessoas apontam para a parede da caverna e dizem que aquilo que vêem é tudo o que existe. Por fim, acabam matando-se.

GAARDER, Jostein. O mundo de Sofia – Romance da história da filosofia. São Paulo, Cia das Letras, 1995. p. 104-5

Estudo do texto

1-      O texto lido é informativo ou ficcional? Justifique sua resposta.
2-      Trata-se de um texto predominantemente narrativo, descritivo ou dissertativo? Por quê?
3-      Em que situações do nosso cotidiano podemos agir como os homens da caverna?
4-      Na sua opinião, por que as pessoas da caverna não acreditaram nas palavras do companheiro?
5-      Veja:  difícil + dade = dificuldade
                 Real + dade =  realidade
O sufixo –dade está formando palavras de que classe gramatical?
6- Utilizando o sufixo –dade, forme substantivos derivados dos seguintes adjetivos:
Livre, infeliz, responsável, simples.